Universidade de Creta, na Grécia, pesquisa microrganismo que come plástico e pode ajudar a limpar os oceanos

Já ouvimos falar bastante a respeito do impacto – na natureza – de nosso uso excessivo do plástico, certo?
Universidade de Creta, na Grécia, pesquisa microrganismo que come plástico e pode ajudar a limpar os oceanos

03

JUN


Não foram poucos os animais marinhos encontrados já mortos (ou quase sem vida) porque confundiram “rastros humanos” com comida e acabaram engasgados ou esganados por objetos de plástico.

Pois é. Felizmente, também não são poucas as ações de ambientalistas preocupados em limpar nossos oceanos da sujeira que nós mesmos – de alguma forma – enviamos para lá.

Uma delas, mais recente, diz respeito à pesquisa realizada por estudiosos da Universidade Técnica de Creta, na Grécia.

A equipe se debruçou sobre alguns tipos de microrganismos que se acumulam em plásticos e contribuem para a degradação do material. Falando o português claro, bactérias que comem plástico.

De acordo com os especialistas, inúmeros fatores – como os raios ultravioleta, por exemplo – influenciam na fragmentação do material em microplásticos. "A degradação precede e estimula a biodegradação, já que os grupos carbonílicos são gerados na superfície de plástico", disse Evdokia Syranidou, engenheiro ambiental, líder da pesquisa.

Para realizar o estudo, os envolvidos analisaram dois grupos de plásticos: polietileno (PE) e poliestireno (PS).

E os resultados foram bastante promissores.

É que cinco meses depois da exposição microbiana, as peças de plástico foram – novamente – pesadas, revelando que os microrganismos conseguiram reduzir as dimensões do polietileno em até 7% e, do poliestireno, em 11%. 

A exposição microbiana ainda resultou em mudanças químicas na superfície dos materiais. Produziu grupos carbonílicos, ligações duplas e também revelou processos como a cisão de cadeias que afetavam o plástico no nível molecular.

Interessante, não?

Apesar de – claro – haver necessidade de mais estudos a respeito, a esperança agora é utilizar o mecanismo biológico para diminuir a poluição nos oceanos.


[Fonte: Revista Galileu]